São estes os meus melhores amigos: um cão rafeiro que encontrei há onze anos, abandonado à beira da estrada e uma bicicleta que recuperei e pu-la como nova. Também não sei quantos anos terá e por quantas mãos terá passado. Estava no lixo, partida, à espera de uma nova oportunidade!
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Pedalo entre o trânsito parado à hora de ponta. Levo no cesto da bicicleta o Bobi, está coxo e velho como eu. A bicicleta, essa máquina de outros tempos, continua forte e pronta para corridas. Mas, as minhas pernas estão cansadas, a subida até ao cimo da rua é lenta. De pedalada em pedalada atingo uma vitória triunfante, consigo chegar primeiro que toda aquela gente, stressada, no pára-arranca, ao final de um dia extenuante.
A casa está vazia, por limpar, porque a idade é muita e a vontade é pouca. Ligo o rádio para ouvir as notícias. A televisão? Essa está desligada desde a história do TDT. Não percebo nada disso, nem quero perceber. Vivi muitos anos sem televisão e posso viver outros quantos sem ela.
Peguei numa sandes mista que comprei pelo caminho. Dividi-a em duas, uma metade para mim, outra para o Bobi. O cão aproximou-se a coxear, abanou a cauda como mostra de contentamento e lambeu-me a mão, feliz. Senti cócegas e sorri para o velho Bobi.
Encontrei há uns tempos atrás uma mesa de matraquilhos. Não esperava convidar ninguém para uma festa (também não tinha quem convidar), nem estrear a mesa nesse dia. Pobrezinha, talvez nunca chegasse a ser útil, mas estava velha, suja e partida, e eu decidi recuperá-la.
De barriga cheia e com entusiasmo, dediquei-me a tal tarefa.
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Há muito tempo que a solidão já não faz parte dos meus sentidos… Tenho com que me entreter. E sobretudo, tenho com quem partilhar a comida.
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