"Cheira bem, cheira a Lisboa..."
Cheira à sardinha assada, às marchas populares e aos arraias!
Cheira ao manjerico, às bandas musicais e às conversas serias e banais!
O odor típico dos santos paira no ar, entranha-se nas nossas roupas, faz-nos acreditar!
Faz-nos sair à rua para rir, ver, beber, comer e brincar!
Os bairros estão em festa, as gentes de Lisboa (e dos arredores) saiem para ver a marcha passar!
Os encontros ocasionais e combinados são múltiplos!
Bebe-se um copo e mais outro, até o dia raiar!
Uns saboreiam a sardinha no pão, provam a bifana ou o caldo verde!
Outros, ganham a noite, tostão a tostão!
Ouvem-se gargalhadas, ritmos musicais, apregoam-se sonhos, sentem-se pisadelas e uns quantos encontrões!
E no campasso musical "lá vai Lisboa" no seu dia tradicional!
Cheira à festa, cheira à esperança! Cheira a alegria e muita dança!
"Cheira bem, cheira a Lisboa..."
Um propósito? Um objectivo? Um prazer? Um estado de alma? A escrita é tudo isso e muito mais para mim! Vou tentar "teclar" muito por aqui! Pegar nas nossas histórias e passa-las para o monitor!
terça-feira, 12 de junho de 2012
quinta-feira, 7 de junho de 2012
Mundos diferentes
«Como estão as coisas por aí?»
«Aqui deste lado está tudo muito confuso!»
«Confuso como?»
«As pessoas atropelam-se umas às outras, magoam-se. Tem medo de dar um passo em falso e se dão um passo fora do caminho definido, recuam de imediato. É como se um nevoeiro denso lhes toldasse a visão e um vento ensurdecedor lhes conduzisse à apatia. E por aí?»
«Por aqui andamos como o tempo. Calados nos dias cinzentos, frios nos dias chuvosos, alegres nos dias quentes e cabisbaixos perante as tempestades.»
«Vivemos em mundos diferentes, mas somos iguais, portanto. Já não corremos, já não esperamos. Conversamos, vivemos o dia a dia e ignoramos...»
«Aqui deste lado está tudo muito confuso!»
«Confuso como?»
«As pessoas atropelam-se umas às outras, magoam-se. Tem medo de dar um passo em falso e se dão um passo fora do caminho definido, recuam de imediato. É como se um nevoeiro denso lhes toldasse a visão e um vento ensurdecedor lhes conduzisse à apatia. E por aí?»
«Por aqui andamos como o tempo. Calados nos dias cinzentos, frios nos dias chuvosos, alegres nos dias quentes e cabisbaixos perante as tempestades.»
«Vivemos em mundos diferentes, mas somos iguais, portanto. Já não corremos, já não esperamos. Conversamos, vivemos o dia a dia e ignoramos...»
sábado, 2 de junho de 2012
Estranhos amigos
São estes os meus melhores amigos: um cão rafeiro que encontrei há onze anos, abandonado à beira da estrada e uma bicicleta que recuperei e pu-la como nova. Também não sei quantos anos terá e por quantas mãos terá passado. Estava no lixo, partida, à espera de uma nova oportunidade!
....
Pedalo entre o trânsito parado à hora de ponta. Levo no cesto da bicicleta o Bobi, está coxo e velho como eu. A bicicleta, essa máquina de outros tempos, continua forte e pronta para corridas. Mas, as minhas pernas estão cansadas, a subida até ao cimo da rua é lenta. De pedalada em pedalada atingo uma vitória triunfante, consigo chegar primeiro que toda aquela gente, stressada, no pára-arranca, ao final de um dia extenuante.
A casa está vazia, por limpar, porque a idade é muita e a vontade é pouca. Ligo o rádio para ouvir as notícias. A televisão? Essa está desligada desde a história do TDT. Não percebo nada disso, nem quero perceber. Vivi muitos anos sem televisão e posso viver outros quantos sem ela.
Peguei numa sandes mista que comprei pelo caminho. Dividi-a em duas, uma metade para mim, outra para o Bobi. O cão aproximou-se a coxear, abanou a cauda como mostra de contentamento e lambeu-me a mão, feliz. Senti cócegas e sorri para o velho Bobi.
Encontrei há uns tempos atrás uma mesa de matraquilhos. Não esperava convidar ninguém para uma festa (também não tinha quem convidar), nem estrear a mesa nesse dia. Pobrezinha, talvez nunca chegasse a ser útil, mas estava velha, suja e partida, e eu decidi recuperá-la.
De barriga cheia e com entusiasmo, dediquei-me a tal tarefa.
....
Há muito tempo que a solidão já não faz parte dos meus sentidos… Tenho com que me entreter. E sobretudo, tenho com quem partilhar a comida.
....
Pedalo entre o trânsito parado à hora de ponta. Levo no cesto da bicicleta o Bobi, está coxo e velho como eu. A bicicleta, essa máquina de outros tempos, continua forte e pronta para corridas. Mas, as minhas pernas estão cansadas, a subida até ao cimo da rua é lenta. De pedalada em pedalada atingo uma vitória triunfante, consigo chegar primeiro que toda aquela gente, stressada, no pára-arranca, ao final de um dia extenuante.
A casa está vazia, por limpar, porque a idade é muita e a vontade é pouca. Ligo o rádio para ouvir as notícias. A televisão? Essa está desligada desde a história do TDT. Não percebo nada disso, nem quero perceber. Vivi muitos anos sem televisão e posso viver outros quantos sem ela.
Peguei numa sandes mista que comprei pelo caminho. Dividi-a em duas, uma metade para mim, outra para o Bobi. O cão aproximou-se a coxear, abanou a cauda como mostra de contentamento e lambeu-me a mão, feliz. Senti cócegas e sorri para o velho Bobi.
Encontrei há uns tempos atrás uma mesa de matraquilhos. Não esperava convidar ninguém para uma festa (também não tinha quem convidar), nem estrear a mesa nesse dia. Pobrezinha, talvez nunca chegasse a ser útil, mas estava velha, suja e partida, e eu decidi recuperá-la.
De barriga cheia e com entusiasmo, dediquei-me a tal tarefa.
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Há muito tempo que a solidão já não faz parte dos meus sentidos… Tenho com que me entreter. E sobretudo, tenho com quem partilhar a comida.
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