Instante rápido que passa sem darmos conta. Momento imediato que marca a
nossa cronologia de vida e que poucas vezes retemos na nossa memória.
Mas, quando somos invadidos pela ansiedade da espera, pela busca da notícia
ou pelo medo súbito da perda, sentimos esses sessenta segundos como uma fração
intemporal, demasiado longa e excessivamente meticulosa (capaz de ficar retida
para sempre na nossa memória).
Um propósito? Um objectivo? Um prazer? Um estado de alma? A escrita é tudo isso e muito mais para mim! Vou tentar "teclar" muito por aqui! Pegar nas nossas histórias e passa-las para o monitor!
quarta-feira, 21 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
Estátua
Pinto a cara de branco como se de um quadro se tratasse. Maquilho-me ao pormenor por forma a reencarnar a minha personagem. Sorrio olhando-me ao espelho e exclamo: - Que olhos perfeitos! De oriental não passo!
Hoje sou gueixa, ontem fui múmia! Há três dias fui rei, amanhã serei palhaço.
Depois de amanhã o que serei? Não sei...
E é assim que todos os dias me transformo no que não sou!
Ora ponho um sorriso alegre, ora um olhar triste! Ora fico irritado, ora cabisbaixo!
Tantas expressões, dezenas de sentimentos, diversos estados que reconheço nos outros mas que não são verdadeiramente meus. Sou um ser que interpreta milhares de eus.
***
Parado na rua Augusta, agora sou uma estátua. Protejo-me do sol com uma sombrinha vermelha. O vestido diferente e colorido desperta a atenção de alguns trauseuntes. Aguardo uma moeda no cesto de vime ainda vazio.
Algumas pessoas olham-me com curiosidade, outros apressados, de fatos caros, bem cortados e pastas de couro na mão, tropeçam em mim com vista e olham-me com desdém.
De súbito, uma rapariga tagarela destaca-se de um grupo de amigos, sorri-me e atira uma moeda para o cesto - a estátua moveu-se por segundos num gesto premeditado - fechei a sombrinha, fiz-lhe uma vénia e voltei a abrir a sombrinha.
O grupo de amigos aproximou-se. Olhares de admiração e sorrisos espontâneos cruzaram-se na rua. Choveram moedas e multiplicaram-se os gestos da estátua movediça.
As crianças sorriam. Os turistas fotografam-me. Os fatos caros, bem cortados e apressados param por segundos.
***
Limpo a cara. Sento-me numa cadeira junto a mesa de jantar vazia e conto as moedas do cesto. Sinto a barriga a roncar, mas ignoro-a, sorrio e exclamo: - Vou comprar um traje novo! Depois de amanhã já sei o que serei!
Hoje sou gueixa, ontem fui múmia! Há três dias fui rei, amanhã serei palhaço.
Depois de amanhã o que serei? Não sei...
E é assim que todos os dias me transformo no que não sou!
Ora ponho um sorriso alegre, ora um olhar triste! Ora fico irritado, ora cabisbaixo!
Tantas expressões, dezenas de sentimentos, diversos estados que reconheço nos outros mas que não são verdadeiramente meus. Sou um ser que interpreta milhares de eus.
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Parado na rua Augusta, agora sou uma estátua. Protejo-me do sol com uma sombrinha vermelha. O vestido diferente e colorido desperta a atenção de alguns trauseuntes. Aguardo uma moeda no cesto de vime ainda vazio.
Algumas pessoas olham-me com curiosidade, outros apressados, de fatos caros, bem cortados e pastas de couro na mão, tropeçam em mim com vista e olham-me com desdém.
De súbito, uma rapariga tagarela destaca-se de um grupo de amigos, sorri-me e atira uma moeda para o cesto - a estátua moveu-se por segundos num gesto premeditado - fechei a sombrinha, fiz-lhe uma vénia e voltei a abrir a sombrinha.
O grupo de amigos aproximou-se. Olhares de admiração e sorrisos espontâneos cruzaram-se na rua. Choveram moedas e multiplicaram-se os gestos da estátua movediça.
As crianças sorriam. Os turistas fotografam-me. Os fatos caros, bem cortados e apressados param por segundos.
***
Limpo a cara. Sento-me numa cadeira junto a mesa de jantar vazia e conto as moedas do cesto. Sinto a barriga a roncar, mas ignoro-a, sorrio e exclamo: - Vou comprar um traje novo! Depois de amanhã já sei o que serei!
segunda-feira, 5 de março de 2012
Procura insaciável
Procuramos. Passamos a vida a procurar por algo. Procuramos uma diversão, procuramos um amigo, procuramos trabalho, procuramos um amor, procuramos sucesso, procuramos dinheiro, procuramos sexo...
A procura é o estado permanente do ser humano. A insaciável procura faz-nos esquecer o que já temos. O pouco que temos e que vemos como nosso deixamos para segundo plano, porque primeiro está a constante procura.
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